O QUE É DESCODIFICAR … SIMBIOLOGICAMENTE?
O acto de descodificar consiste em traduzir os sinais de uma mensagem, aparentemente incompreensível ou inacessível, em dados significativos, claros e elucidativos. Da mesma forma que o código formado por alguns algarismos e letras possibilita abrir a porta de um cofre e descobrir o seu conteúdo, o terapeuta descodificador procura, através do sintoma, ter acesso a uma informação que relata uma experiência interna, contida, da pessoa. O cofre representa, apenas, a parte externa visível, que contém algo de importante mantido secreto e seguro. Geralmente, o conteúdo tem um valor vital - afectivo, comercial, moral (cartas, informações, dinheiro, diamantes, fotos, recordações, compromissos, etc.), impossível de avaliar só pelo aspecto do cofre ou pelos dados do código. Dois pontos parecem já evidentes:
- sem o código de entrada (SimBiologia) não é possível chegar à informação contida.
- o cofre (sintoma) faz sentido apenas quando a pessoa tem algo a proteger, a esconder dos outros ou de si.
O que subentende, então, o acto de descodificar uma patologia? Que ela tem um significado, que o sintoma tem um sentido. Para sermos mais precisos, empreguemos o termo sentido nos seus significados mais comuns:
sentido = direcção
sentido = significação = intenção
sentido = vivido com os sentidos
sentido = magoado, pesaroso
sentido = percebido
Veremos que a patologia não surge por acaso; ao contrário, ela faz todo o sentido: ao reflectir frequentemente uma dificuldade em gerir uma opção de direcção, uma intenção, uma mágoa, emoções e sensações), ela revela algo que a pessoa não aceita ou não consegue gerir na sua vida. A patologia expõe um sinal para quem queira ver ou ouvir e aponta uma pista para quem se disponibilize a procurar na direcção indicada.
"Não se abre uma flor com os dedos"
O trabalho da descodificação consiste justamente em ajudar a pessoa a tomar consciência do fenómeno inconsciente (bloqueio, contrariedade, medo e sofrimento) que origina o sintoma: esta compreensão constitui um passo decisivo no processo de cura. Se o terapeuta assiste e leva a pessoa a descobrir as chaves que dão acesso à compreensão, a decisão de abrir a porta do cofre (ou não) pertence exclusivamente ao paciente.
DESCODIFICAR OS SINTOMAS
INQUÉRITO DO TERAPEUTA-DETECTIVE
A que se assemelha, então, a tarefa do descodificador SimBiológico?
Vimos que descodificar significa traduzir e decifrar uma mensagem, um gesto, de forma a aceder a um significado. Quando pretendemos descodificar um sintoma, sabemos de antemão que o sintoma não aparece por acaso, que é portador de um sentido e tem uma função específica. Por isto, a patologia aparece como o resultado de uma gestão de informações que o cérebro realiza com critérios SimBiológicos extremamente precisos.
A pergunta que se deve colocar agora é a seguinte:
"Que tipo de informação ou conjunto de informações o cérebro recebeu e teve de gerir para escolher um determinado sintoma: funcional, comportamental ou orgânico?"
A partir dos indícios que consegue apanhar, o terapeuta-detective tenta reconstruir, passo a passo, as condições e circunstâncias do crime de forma a identificar os autores. No caso da patologia não há propriamente um crime mas uma sequência lógica a descobrir, de forma a explicar o “gesto” cerebral que lançou a patologia.
De que pistas dispõe o terapeuta? Em primeiro lugar, dispõe das informações que o paciente lhe fornece – aspecto físico, sintomas, queixas, identidade, história familiar e individual, forma de se exprimir, etc. Em segundo lugar, da sua própria capacidade de investigação que o conduz a dados que o paciente não quer ou não pode divulgar (daí o conflito), ou dos quais não tem consciência. Se para o terapeuta quase tudo é significativo e portador de informação, o processo de investigação segue, no entanto, duas etapas precisas:
A primeira etapa consiste em analisar atentamente o objecto principal da consulta, o sintoma e a queixa. Nesta fase, o investigador, de forma a situar o sintoma no tempo e no espaço, procura todos os elementos: quando, onde, forma, intensidade ...
Esra primeira etapa deve levar-nos a colocar algumas questões precisas:
- Qual foi a função solicitada (locomotora, digestiva, respiratória, reprodutora…)?
- Em que parte do órgão alterado se situa o sintoma?
- O que justifica a escolha do órgão (bexiga, pele, esófago…)?
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- A segunda etapa privilegia a pessoa, a sua história, a sua estrutura psico-afectiva, o modo de se relacionar com o mundo.
Tomemos um exemplo ilustrativo do primeiro passo que se concentra à volta da função do órgão atingido, pista de investigação fundamental:
O sintoma e a queixa: entorse do pé
à Uma senhora torce o pé direito no momento em que sai do carro para se dirigir ao local de trabalho, acontecimento aparentemente estranho, já que o piso está totalmente plano e não sofreu nenhum empurrão. Sente uma dor lancinante no tornozelo que a impede de pousar o pé no chão e de continuar a andar.
Analisemos este sintoma a partir da função do pé e das consequências do acidente.
O que sabemos sobre o pé? O pé constitui uma peça importante do aparelho motor. Está ligado à deslocação e, mais precisamente, a uma direcção precisa. Não são as mãos que dão a orientação do andar, mas os tornozelos e os pés, que implicam, sobretudo, a noção de “tomar uma decisão, um rumo” quando se “dá um passo”. Este sintoma permite-nos a leitura seguinte do vivido da pessoa: “na minha decisão relativa à deslocação vivo um bloqueio; vou nesta direcção, mas não quero”. O cérebro, que deve gerir esta conflitualidade, opta pela solução mais adequada: não ir por aí. Os músculos e tendões do pé direito que, em situação normal, dão a força ao tornozelo, são agora desmobilizados, de modo que, ao colocar o pé no chão, o tornozelo torce-se, haja ou não um obstáculo no caminho. Uma vez imobilizado, o sujeito sai da conflitualidade: retido pela dor, é incapaz de se deslocar seja onde for e principalmente onde não quer “pôr os pés”, onde existe um perigo. Biologicamente, o conflito está solucionado. Resta-lhe, agora, gerir a imobilidade dolorosa e, eventualmente, aprender desta experiência algo sobre si, algo útil para a vida futura.
Com efeito, a dor obriga a reflectir, a concentrar-se sobre o problema de forma a encontrar uma solução. No caso da entorse, a solução consiste muito simplesmente em tratar do tornozelo e deixar de andar durante uns dias. Se na maior parte das patologias a resolução não é tão simples como o problema de entorse, a lógica de abordagem dos sintomas é, na sua essência, exactamente a mesma.
A queixa ou a verbalização do sintoma
A investigação à volta do “sintoma” estaria incompleta se deixássemos passar um aspecto determinante (frequentemente menosprezado) nas seguintes etapas da terapia: a forma como a pessoa verbaliza o seu mal-estar e o seu sofrimento, a forma utilizada para expressar a sua relação com o sintoma. Vejamos alguns exemplos de queixas:
- Sinto-me preso, atado; não posso dar um passo
- Não consigo pensar; estou bloqueado
- Perdi o cheiro; a comida não tem sabor
- Sinto uma dor de facada na barriga
- Sinto-me abandonada pela minha família, desesperadamente só
- O meu peito está cheio de raiva, de tristeza
- Sinto um peso insuportável nos ombros, não consigo mexer o braço direito, sinto-o dormente
- Custa-me engolir; a digestão está parada, não faço a digestão
- Estou no fundo de um poço, impotente
Estas são, entre centenas e centenas de outras, algumas formas de verbalização de certos conflitos. A verbalização – descrição funcional – permite definir o que mudou na vida da pessoa, o que perdeu ou ganhou em termos de capacidade: perdi a fome, só quero comer doces, faço as coisas lentamente, sem vontade, fico aflito se não acabo as tarefas a tempo, perdi o sono, deixei de sair de casa, não consigo virar-me na cama, não suporto os gritos das crianças, etc.
Descodificação biológica e fisiologia
Já com estes primeiros passos na abordagem da análise simbiológica podemos ver como nos distanciamos da perspectiva sintomática dominante que considera as manifestações fisiológicas, designadas doenças, como o resultado de um defeito estrutural ou funcional de um órgão. Assim, uma pessoa que apresenta uma bronquite ou uma asma alérgica é tratada a nível dos brônquios porque se pensa que estes problemas respiratórios são o resultado de uma disfunção ou insuficiência pulmonar. Da mesma maneira, uma cistite, uma rinite, uma hipoacusia ou um eczema são sintomas tratados apenas como perturbações do órgão respectivo (bexiga, nariz, ouvido, pele). Se os tratamentos essencialmente locais têm a sua utilidade, eles não só não esclarecem a origem do problema, como instalam o paciente numa posição passiva de “vítima”, que possibilita a passagem para a fase crónica.
Continuemos a análise funcional do sintoma, questionando a estratégia cerebral:
Qual é a intenção do cérebro, ao alterar a função orgânica? Que informação o cérebro recebeu para lançar um programa de salvação específico?
Tomemos um exemplo simples: uma pessoa vai perdendo o sentido auditivo até ficar surda. Analisemos os parâmetros básicos da situação, passo a passo. Automaticamente, o sintoma surdez implica que estamos na função auditiva. Qual é a função biológica da audição? O ouvido não só capta informações sonoras que o ligam aos outros seres vivos como avisa, também, de certos perigos (explosões, buzinada, proximidade de predadores e inimigos, presença de um intruso, gemer duma criança aflita…). Na vida dos seres humanos, o sentido auditivo é tão importante na função de defesa, que permanece activo dia e noite, como o olfacto e o tacto.
O que pode levar o cérebro a alterar esta função até a pessoa surda ficar surda? Na verdade, o computador cerebral altera a função auditiva no sentido de reduzir a sua capacidade quando recebe um impulso psico-afectivo perturbador do tipo: “eu não quero mais ouvir isto....”; o termo isto corresponde a uma informação auditiva insuportável, geralmente considerada perigosa; pode ser um barulho, discussões, palavras violentas, um silêncio ameaçador, etc. Naturalmente, na posse destas informações ( conseguidas a partir do sintoma), o terapeuta pode orientar um questionário no sentido de saber por que razão o sujeito opta pela surdez e o que é que a pessoa não quer/quis ouvir mais.
Imaginemos uma pessoa que receia com muita intensidade o resultado de uma série de exames médicos. Se, de facto, tem um pavor de ouvir o diagnóstico, o cérebro pode produzir um curto-circuito na transmissão neuronal para não deixar “entrar a mensagem perigosa”. Este mecanismo primitivo de protecção varia nas suas manifestações - pode ir da hipo-acusia (baixa da faculdade auditiva) até à surdez completa, conforme o envolvimento emotivo e o impacto sobre a pessoa. Na maior parte dos casos, quando a situação não se repete e, sobretudo, se o tempo de stress não se prolongar, o sintoma costuma passar quase despercebido.
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